CVE-2015-7755
Corrija agora. Ela está sob exploração confirmada pelo CISA e tem exploit funcional público.
Apply mitigations per vendor instructions, follow applicable BOD 22-01 guidance for cloud services, or discontinue use of the product if mitigations are unavailable.
Resumo
Um backdoor de autenticação inserido em código não autorizado no ScreenOS da Juniper permitia acesso administrativo completo a firewalls NetScreen bastando digitar uma senha mestra fixa durante uma sessão SSH ou Telnet, no lugar da senha real do usuário. A falha foi descoberta pela própria Juniper em revisão interna de código e é tratada como inserção deliberada de terceiros, não como bug de programação — o que a torna um caso raro de supply-chain compromise em firmware de rede amplamente usado.
Detalhamento técnico
O mecanismo é um bypass de autenticação por credencial hardcoded (CWE-798/CWE-287): o binário do ScreenOS continha uma string mágica embutida — identificada por pesquisadores, via diffing binário entre versões, como "<<< %s(un='%s') = %u" — que, quando fornecida como senha em uma tentativa de login SSH ou Telnet, concedia acesso administrativo independentemente do nome de usuário ou da senha legítima configurada no dispositivo. Não é uma falha de lógica acidental: a Juniper classificou o código como 'unauthorized code', ou seja, inserido fora do processo normal de desenvolvimento, e ele coexistia com uma segunda falha independente (CVE-2015-7756) que comprometia a decriptação de tráfego VPN via manipulação de parâmetros do Dual_EC_DRBG.
Como é explorada
O atacante só precisa de alcance de rede até a interface de gerenciamento SSH ou Telnet do dispositivo — não precisa de credencial válida, conta prévia nem configuração especial. Ao autenticar com qualquer nome de usuário e a senha mágica revelada publicamente, obtém acesso administrativo total, permitindo reconfigurar regras de firewall, extrair configuração e pivotar na rede protegida. A complexidade de exploração é trivial (AC:L, PR:N, UI:N no vetor CVSS) porque não exige conhecimento prévio de segredo criptográfico nem timing especial — apenas saber a string, que se tornou pública dias após o advisory da Juniper.
Versões
Como se proteger
A correção definitiva é atualizar para as builds retificadas ('b') de cada branch afetado, ou para 6.3.0r21 no caso do branch 6.3.0r20, que remove o código não autorizado. Onde a atualização imediata não é viável, o paliativo real é restringir o acesso de gerenciamento (SSH/Telnet) apenas a hosts e redes confiáveis via ACL/management-zone, e desabilitar Telnet em favor de SSH com listas de acesso — isso não corrige a falha, mas reduz a superfície de exposição à interface vulnerável. Trocar a senha de administrador não mitiga nada, pois o backdoor ignora a senha configurada — esse é o mito mais perigoso associado ao caso.
Como detectar
Segundo análise técnica publicada por pesquisadores, quando o backdoor é usado o log do ScreenOS registra a conexão como originada do usuário 'system' em vez do nome de usuário real digitado — uma anomalia sutil, mas verificável em logs de autenticação SSH/Telnet do dispositivo, desde que os logs não tenham sido adulterados. O próprio CERT/CC observa que não há garantia de que essa evidência sempre exista, e a Juniper declarou não ter conhecimento de exploração maliciosa confirmada, apesar da senha ter se tornado pública. Não há assinatura de rede confiável (a autenticação ocorre dentro de uma sessão SSH/Telnet legítima), então a detecção depende quase inteiramente da revisão de logs de auditoria do próprio equipamento.