CVE-2017-6627
Priorize a correção. Ela está sob exploração confirmada pelo CISA.
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Resumo
Falha de esgotamento de recursos (DoS) no processamento de UDP em Cisco IOS e IOS XE: sockets UDP abertos por certas aplicações internas do IOS ficam ociosos e nunca são fechados, e pacotes UDP destinados à porta 0 acabam entupindo a fila de entrada da interface. Não exige autenticação nem acesso privilegiado — só alcance de rede até uma interface do dispositivo — mas o impacto é negação de serviço pontual (a fila trava ao acumular 250 pacotes), não execução de código nem comprometimento de dados. Está no catálogo KEV da CISA porque a Cisco identificou tentativas adicionais de exploração em campo em março de 2022, cinco anos após a publicação original do CVE.
Detalhamento técnico
A causa raiz (CWE-399, gerenciamento impróprio de recursos) está em código de aplicações do próprio Cisco IOS que criam sockets UDP internos e os deixam abertos e ociosos, sem fechá-los quando não são mais necessários. Esse comportamento por si só não é a vulnerabilidade explorável, mas cria a condição de fundo sobre a qual o defeito de processamento de pacotes se manifesta.
O gatilho é o tratamento de pacotes UDP com porta de destino 0. Ao receber esses pacotes, o dispositivo os retém na fila de entrada (input queue) da interface em vez de descartá-los ou processá-los normalmente. A fila continua acumulando esses pacotes até atingir 250 unidades, ponto em que o comportamento de retenção para — ou seja, há um limite interno que evita esgotamento total, mas que já é suficiente para travar (wedge) a fila da interface e degradar ou interromper o processamento de tráfego legítimo nessa interface.
O atacante não controla conteúdo de payload nem consegue escrever/ler memória arbitrária: o único parâmetro relevante que ele manipula é o destino (porta UDP 0) e o volume/repetição do envio até atingir o limiar da fila. Não há elevação de privilégio nem execução de código — o resultado final é estritamente indisponibilidade da interface afetada.
Como é explorada
O vetor é remoto e não autenticado: basta enviar pacotes UDP com porta de destino 0 para uma interface do dispositivo Cisco IOS/IOS XE alcançável na rede. Não há pré-requisito de configuração não padrão, VLAN específica ou serviço habilitado adicionalmente — a exposição depende apenas de a interface receber tráfego UDP roteado ou destinado a ela. Isso torna a superfície de ataque ampla em qualquer roteador/switch exposto a redes não confiáveis ou à internet.
A complexidade de exploração é baixa: não exige timing preciso, bypass de proteção de memória nem engenharia reversa de protocolo proprietário — apenas o envio repetido de pacotes UDP malformados quanto à porta. O resultado é a fila de entrada da interface travando (queue wedge), o que pode interromper ou degradar severamente o tráfego processado por aquela interface, configurando negação de serviço.
A Cisco confirmou, na revisão do advisory de dezembro de 2022, que identificou tentativas adicionais de exploração em campo a partir de março de 2022 — motivo da inclusão no catálogo KEV da CISA nessa data, apesar do CVE ter sido publicado em 2017. Não há detalhes públicos sobre escala, alvos ou atribuição dessas tentativas.
Versões
Como se proteger
A Cisco recomenda atualizar para uma versão corrigida de IOS ou IOS XE, mas o advisory não lista números de versão fixa diretamente — orienta consultar os Cisco Bug IDs (CSCup10024, CSCva55744/CSCva95506, CSCvc96281, CSCve64219) através do Cisco Bug Search Tool para identificar a release corrigida específica da linha de produto e treinamento de código usados. Não assuma uma versão-alvo sem checar o bug ID correspondente ao seu hardware/software.
Há dois paliativos reais quando a atualização não é imediata. Primeiro, configurar um valor de hold-queue de entrada maior que 250 em todas as interfaces do dispositivo (comando de exemplo do próprio advisory: 'hold-queue 350 in'), o que evita que o travamento ocorra no limiar padrão — custo: consumo adicional de memória de buffer, sem impacto funcional relevante em equipamentos com memória suficiente. Segundo, aplicar uma ACL que bloqueie pacotes UDP com porta de destino 0 em todas as interfaces (exemplo do advisory: 'deny udp any any eq 0'), o que neutraliza o vetor de exploração diretamente — custo: nenhum tráfego legítimo depende de porta UDP 0, então o impacto colateral é mínimo, mas a ACL precisa ser mantida e aplicada consistentemente em todas as interfaces expostas.
O mito a evitar: reiniciar o dispositivo ou a interface remove o sintoma momentaneamente, mas não corrige a causa — os sockets ociosos continuam sendo criados pelas aplicações internas do IOS, e o dispositivo volta a ficar vulnerável ao mesmo padrão de tráfego.
Como detectar
Em dispositivos Cisco, sinais de exploração incluem picos de pacotes UDP com porta de destino 0 em captura de tráfego ou em ACLs de log configuradas para esse padrão, e sintomas operacionais como interface(s) reportando fila de entrada cheia ou travada — visível em comandos de diagnóstico de interface e buffer do IOS (contadores de fila de entrada anormalmente altos ou estagnados perto do limite de 250 pacotes) e em perda de conectividade ou lentidão isolada em uma interface sem causa de tráfego legítimo correspondente.
Não há assinatura pública de IDS/IPS documentada nas fontes consultadas nem indicador de comprometimento específico associado às tentativas de exploração reportadas pela Cisco em 2022 — a ausência de detalhes técnicos sobre essas tentativas (origem, volume, ferramentas) é uma lacuna real, não uma omissão desta análise.