CVE-2025-6558
Priorize a correção. Ela está sob exploração confirmada pelo CISA e tem prova de conceito pública.
Apply mitigations per vendor instructions, follow applicable BOD 22-01 guidance for cloud services, or discontinue use of the product if mitigations are unavailable.
Resumo
Falha de validação insuficiente de entrada não confiável em ANGLE e no componente GPU do Google Chrome, que permite a um atacante remoto escapar do sandbox do navegador a partir de uma página HTML maliciosa. Foi descoberta em uso ativo por Clément Lecigne e Vlad Stolyarov, do Threat Analysis Group (TAG) do Google — equipe que tipicamente rastreia campanhas de spyware comercial contra jornalistas, ativistas e dissidentes —, o que indica exploração direcionada, não massiva, antes da correção.
Detalhamento técnico
O bug está em ANGLE (Almost Native Graphics Layer Engine), a camada que traduz chamadas WebGL/WebGPU do Chrome para APIs gráficas nativas (Direct3D, Metal, Vulkan, OpenGL), e no subsistema GPU do navegador que processa esses comandos fora do processo renderer. A descrição do fornecedor fala em 'incorrect validation of untrusted input', compatível com uma falha de checagem de limites ou de tipo (CWE-20, validação de entrada) em dados que o processo renderer — sandboxed e não confiável por design — envia ao processo GPU, que roda com privilégios maiores e acesso a drivers gráficos do sistema.
O Google restringiu os detalhes do bug (issue 427162086 no Chromium tracker permanece fechado ao público), prática padrão quando ainda há exploração ativa ou quando o código afetado é compartilhado com outros projetos que não corrigiram. Isso significa que não há, publicamente, o diff exato do patch ou a estrutura de dados envolvida — apenas a confirmação de que a falha está na fronteira entre o processo de conteúdo web (não confiável) e o processo GPU.
A gravidade do bug isolado é classificada pelo Chromium como 'High', não 'Critical', porque sozinho ele compromete apenas o processo GPU — que já roda com sandbox próprio e privilégios reduzidos em relação ao sistema. O impacto de 'sandbox escape' citado na descrição oficial se refere à fuga do sandbox do renderer para o processo GPU; para comprometer o sistema operacional hospedeiro por completo, esse tipo de falha normalmente é encadeado com uma segunda vulnerabilidade que escape do sandbox do processo GPU ou do broker do Chrome — padrão comum em cadeias de exploração de spyware comercial contra o Chrome.
Como é explorada
O vetor é uma página HTML maliciosa: a vítima só precisa visitá-la com o Chrome vulnerável (interação do usuário exigida, conforme o vetor CVSS UI:R — abrir o link). Não há necessidade de autenticação, configuração não padrão ou privilégios elevados; o ataque funciona no perfil padrão do navegador. Isso explica o CVSS 8.8 com AV:N/AC:L/PR:N.
O Google confirmou no próprio advisory de 15 de julho de 2025 que 'um exploit para CVE-2025-6558 existe in the wild', o que levou a CISA a incluí-la no catálogo KEV. Os detalhes técnicos do exploit não foram publicados pelo fornecedor nem por pesquisadores independentes até a data de escrita — o achado veio do TAG, cuja linha de trabalho é rastrear campanhas de spyware comercial (tipo Pegasus/Predator) usadas contra alvos de alto risco, não criminalidade oportunista em massa.
Como o Chromium manteve o issue tracker fechado, não há PoC pública funcional documentada de forma confiável ligada a este CVE — apesar de bases de agregação listarem 'PoC pública' para a CVE, isso provavelmente reflete PoCs de crash/fuzzing gerados após a divulgação do patch (comum em bugs de ANGIE/GPU), não o exploit original usado em campanha real. Trate essa distinção com cautela ao avaliar risco.
Versões
Como se proteger
Atualizar o Google Chrome para a versão 138.0.7204.157 (Linux) ou 138.0.7204.157/.158 (Windows e Mac) ou posterior. Navegadores baseados em Chromium (Edge, Brave, Opera, Vivaldi etc.) devem receber correção equivalente em suas próprias releases subsequentes — verificar changelog de cada fornecedor, pois a numeração de versão não é idêntica à do Chrome.
A Apple também corrigiu a mesma CVE-2025-6558 no WebKit (compartilhado com Chromium em parte do código de terceiros) via Safari 18.6, iOS/iPadOS 18.6 e macOS Sequoia 15.6, publicados entre 29 de julho e 2 de agosto de 2025 — usuários dessas plataformas devem atualizar separadamente.
Não há paliativo de configuração conhecido e documentado (flag de desativação de ANGLE, política de grupo, etc.) que mitigue a falha sem quebrar funcionalidade gráfica do navegador; desativar aceleração de hardware/WebGL reduz superfície de ataque de forma genérica mas não é uma mitigação oficial nem testada para este CVE específico. A única correção validada é a atualização do binário do navegador.
Como detectar
Não há indicadores de comprometimento públicos e confiáveis associados à exploração in the wild desta CVE — o Google não divulgou domínios, hashes ou padrões de payload usados na campanha detectada pelo TAG. Em ambientes corporativos, o sinal mais prático é indireto: monitorar crashes anômalos ou reinícios do processo GPU do Chrome (visível em chrome://gpu ou logs de crash do navegador) em máquinas que acessaram páginas externas não confiáveis pouco antes da atualização de julho de 2025, e cruzar com telemetria EDR para comportamento pós-exploração (escalada de processo, injeção) originado do processo do navegador.