CVE-2019-7256
Patch now. It under exploitation confirmed by CISA and has a working public exploit.
Contact the vendor for guidance on remediating firmware, per their advisory.
Summary
Os controladores de acesso físico Linear eMerge E3-Series (fabricados originalmente pela Linear, hoje sob a marca Nice) possuem múltiplas falhas de injeção de comandos OS (CWE-78) em endpoints web administrativos, permitindo execução remota de código sem autenticação. A CVE está no catálogo KEV da CISA com exploração confirmada em campo, tem módulo Metasploit e PoCs públicos — é um caso raro em que o CVSS 9.8 reflete corretamente a gravidade real, dado que o vetor não exige autenticação nem interação do usuário.
Technical detail
A falha é uma injeção de comandos de sistema operacional (CWE-78) na interface web de administração do eMerge E3, um controlador de acesso físico (crachás/portas) baseado em Linux embarcado que expõe scripts PHP para operações administrativas. Pesquisadores documentaram publicamente pelo menos dois endpoints vulneráveis — card_scan.php e card_scan_decoder.php — em que parâmetros de entrada são concatenados diretamente em chamadas de shell no backend sem sanitização, permitindo que o atacante anexe comandos arbitrários que são executados com os privilégios do processo web (tipicamente root ou usuário privilegiado em dispositivos embarcados desse tipo).
O caráter do dispositivo agrava o impacto: é um controlador de acesso físico, então RCE nele significa não só comprometimento de rede como possibilidade de manipulação de fechaduras, logs de acesso e cadastro de credenciais/crachás — pivô direto entre o mundo cibernético e o físico.
A descrição oficial do fornecedor (via advisory da Applied Risk, AR-2019-005) é genérica ('allows Command Injections'), sem detalhar todos os pontos de injeção; o conjunto de PoCs publicados no Packet Storm ao longo dos anos (2019 e revisões posteriores em 2019 e 2023) sugere que a superfície de injeção é mais ampla do que um único endpoint, com variantes reportadas contra diferentes scripts do painel administrativo.
How it’s exploited
O vetor é rede (AV:N), sem necessidade de autenticação (PR:N) e sem interação do usuário (UI:N) — a exploração ocorre via requisições HTTP diretas aos endpoints vulneráveis do painel web do eMerge E3, tipicamente expostos na porta de administração do dispositivo. Não há pré-condição de configuração não padrão conhecida: o painel administrativo, por natureza do produto, roda por padrão para gestão do controlador.
A principal exigência prática é alcance de rede até a interface de gerenciamento do dispositivo — em ambientes onde esses controladores são expostos direta ou indiretamente à internet (o que ocorreu e foi documentado em internet scanning/Shodan ao longo dos anos), a exploração é trivial e automatizável, daí a existência de módulo Metasploit e templates Nuclei. O resultado final é execução de comando arbitrário no sistema operacional do controlador, dando ao atacante controle total do dispositivo — persistência, manipulação de logs de acesso físico, e possível uso do controlador como pivô para a rede interna.
A presença no catálogo KEV da CISA (adicionada em 2024, com prazo de mitigação vencido em abril de 2024) confirma exploração ativa documentada, mesmo a CVE datando de 2019 — indicando campanhas de exploração em dispositivos legados e não corrigidos que permanecem expostos.
Versions
How to protect
A CISA recomenda, na ausência de patch claro e único, contatar o fornecedor (Nice/Linear) para orientação de remediação de firmware conforme o advisory do fabricante — não há, nas fontes consultadas, um número de versão fixa confirmado para esta CVE especificamente. O fornecedor publicou um boletim próprio (E3-Bulletin, 27/06/2023) e a CISA emitiu o advisory ICS ICSA-24-065-01 tratando desses controladores, mas o conteúdo detalhado de versões corrigidas não foi verificado nas fontes lidas para esta página — não informe versão de correção sem consultar diretamente esses dois documentos antes de fechar um plano de remediação.
Como paliativo real: jamais expor a interface administrativa do eMerge E3 diretamente à internet; restringir acesso à porta de gerenciamento via segmentação de rede/VLAN dedicada a controle de acesso físico, com firewall permitindo apenas IPs de administração conhecidos; monitorar e, se possível, desligar temporariamente scripts/endpoints administrativos não essenciais até confirmação de patch. Não existe mitigação via WAF genérico confiável documentada nas fontes — a superfície de injeção é ampla (múltiplos scripts PHP), e regras de bloqueio específicas tendem a ser contornáveis.
O que NÃO funciona: assumir que a vulnerabilidade foi resolvida só porque a CVE é de 2019 — o próprio catálogo KEV foi atualizado em 2024 com exploração ativa confirmada, evidenciando que dispositivos vulneráveis ainda operam em produção sem correção.
How to detect
Não há assinatura de detecção oficial publicada e confirmada nas fontes consultadas. Como indício prático, procure em logs de acesso web do controlador (ou de proxy/firewall na frente dele) requisições HTTP para os scripts card_scan.php e card_scan_decoder.php contendo metacaracteres de shell (ponto e vírgula, pipe, backticks, cifrão-parênteses) nos parâmetros — esses dois endpoints são os documentados publicamente em PoCs. A ausência de logging nativo detalhado nesses dispositivos embarcados é comum, então a detecção confiável tende a depender de monitoramento de rede externo (IDS/proxy) e não do próprio equipamento.